segunda-feira, 31 de maio de 2010

POESIAS_Musas Perigosas

É por isso: sem vê-la ao seu lado,
seu coração é um terreno desabitado...
E pela persistente lembrança dela,
de noite ou de dia,
a qualquer hora,
uma desatinada poesia
nele acampou e se recusa a ir embora...

Tarde demais para o poeta! Também se recusa
a voltar-lhe o pouco
juízo que tinha. De vez, perdeu-o pela musa
e, agora, ei-lo gritando versos, cada vez mais louco!...


Antonio Maria Santiago Cabral
em 19/11/2009
Código do texto: T1933193
Versiprosa de Antonio Maria
http://antoniomaria.prosaeverso.net


Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

CONTOS_O que vale é a beleza interior...

Ela era lindona mesmo. De parar o trânsito. Por isso, na hora que o seu namorado estava sentado no sofá da sala, jurando-lhe amor eterno, ela debruçou-se sobre ele e perguntou:
- Mas tu me amas mesmo ou só me desejas, porque sou bonita?
- Meu bem, a beleza interior é a que vale. Essa tu tens demais...
- Obrigada, meu amor, assim fico mais tranquila.
E a namorada, que estava com uma blusa decotada e sem sutiã, e uma saia curta, nem reparou no enorme esforço que ele fazia para conter a violenta ereção que o balançar dos seus seios soltos e o bom pedaço de suas roliças coxas lhe causavam...

Antonio Maria Santiago Cabral
Publicado em 03/09/2009
Código do texto: T1790071
Versiprosa de Antonio Maria
http://antoniomaria.prosaeverso.net


Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

domingo, 30 de maio de 2010

CONTOS_Ausência Real

Quando o viram falando sozinho dentro de casa, suspeitaram que ele estivesse louco. Não estava.
A saudade da mulher amada era tão visível que se tornou presença com quem ele falava todos os dias.



Antonio Maria Santiago Cabral
12/11/2009
Código do texto: T1919471
Versiprosa de Antonio Maria
http://www.antoniomaria.prosaeverso.net


Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

POESIAS_ No Garimpo do Desencanto

Num recado que não li,
de tua chegada me avisavas.
Num sono que eu não dormi,
tu me guardavas.
Na tua estrada que não percorri,
tu caminhavas.
Aberta, a porta não estava.
Por que entraste?
Porque a tua estrela que não vi,
me iluminava,
e a tua canção que não ouvi,
me deleitava.
Nem mesmo uma ilusão é visível
na curva do impossível...
Mas, sacudo o barro do desencanto,
garimpando uma palavra pro meu canto.



Antonio Maria Santiago Cabral
23/05/2010
Código do texto: T2274750
Versiprosa de Antonio Maria
http://www.antoniomaria.prosaeverso.net


Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

sábado, 29 de maio de 2010

POESIAS_ Fobia

Meus olhos estão abertos,
mas não parecem despertos.
Eriçam-me os pelos,
no teu frio ou no teu calor,
preciso rasgar os selos
que lacram o meu medo de falar de amor...


Antonio Maria Santiago Cabral
Publicado em 19/05/2010
Código do texto: T2266294
Versiprosa de Antonio Maria
http://www.antoniomaria.prosaeverso.net


Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

CONTOS_ Terrível Doença!

Depois da separação conjugal, estranhas visões e sons perseguem o homem. O guarda-roupas se abre sozinho, mostrando vestidos que ele sabe que não estão mais lá, o espelho mostra uma vaga imagem feminina por trás dele, murmúrios estranhos enchem os seus ouvidos nas madrugadas insones. Ele pensa que está ficando louco e vai procurar um psiquiatra.
O médico, um homem de olhos tristes, de uns 50 anos, ouve a queixa do paciente, anota os seus dados e, de repente, levanta-se da mesa e berra, agarrado ao paciente:
- Tua doença não tem cura, desgraçado! É saudade, é saudade! Eu também sofro disso!...


Antonio Maria Santiago Cabral
Publicado em 17/09/2009
Código do texto: T1815859
Versiprosa de Antonio Maria
http://antoniomaria.prosaeverso.net


Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

POESIAS_ Subversivo Poema

O poema queima e ferra
nas páginas frias da madrugada sem sono,
depois cava palavras na terra,
cheia de folhas secas do abandono.
O poeta quer esquecer, mas o poema
prende um grito nas suas mãos duras,
e o poeta, que pragueje, que trema,
solta os versos que visitam as perjuras!


Antonio Maria Santiago Cabral
Publicado em 21/05/2010
Código do texto: T2270071
Versiprosa de Antonio Maria
http://www.antoniomaria.prosaeverso.net




Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

CONTOS_ Caronas São Sempre Perigosas

Quem me conta esta história é o meu amigo Rodrigo, um cara cujo namoro está seriamente ameaçado pelos excessivos ciúmes de sua namorada.
Diz ele:
"Antonio, a minha namorada, uma coroa bonita e gente fina, é tão ingênua que votou duas vezes seguidas no Lula. No entanto, vira fera quando o assunto é traição, pois só não vê uma rival em cada canto porque não existe em cada canto uma mulher bonita e gostosa. Para ela, sempre me encho de suspeitíssimas intenções quando um avião (boeing ou mesmo um teco-teco bonitinho) está por perto de mim. Pura insegurança, pois sou sempre sério e correto nos meus relacionamentos amorosos. Veja o que aconteceu um dia desses.
Ela é motorizada, eu não; por isso, sempre me dá uma carona até ao colégio onde leciono. Mas, numa noite, me telefonou, espumando de raiva:
- Não conte com a minha carona amanhã; pegue a carona da sua gatinha.
- Tá maluca? Que gatinha?
- Aquela guria que estava agarrada no seu pescoço, quando passei pelo seu colégio, lá pelas 5 da tarde.
- Disse bem: guria. É uma meninota, me trata como tio.
- Tio, né? Pois sim, tu não me enganas. Se depender de mim, vais a pé para o colégio.
Então, no outro dia, sem contar com ela, estava esperando uma outra carona, quando um carrinho vermelho buzinou. Era uma professora lá do colégio. Aproximei-me:
- Quer carona, professor?
Espiei melhor para dentro e vi um decote assustadoramente revelador, combinado com um par de pernas que deixariam inquietas e desesperadas até mãos santas.
Não me lembro de ter pensado, mas respondi rápido:
- Claro – e peguei a carona.
Dez minutos depois, a professora descobriu que a gasolina não iria dar e parou num posto para abastecer. Ao descer para preencher o cheque, pude observar que realmente o material era de primeiríssima qualidade. Idéias, idéias, por que o diabo nos enche de idéias?... E, de repente, meu celular tocou. Era minha namorada:
- Meu bem, desculpe, acho que exagerei. Está me esperando?
- Não, peguei uma carona com o professor Fernando.
- Então, nos encontraremos depois das aulas?
- Não vai dar, não estamos indo para o colégio, mas sim para um trabalho externo de pesquisa.
- Que pena. Então, tchau. Te amo.
- Tchau. Também te amo.
A professora voltou, sorriu-me docemente (ou voluptuosamente?), a saia subiu bem mais que o normal, acidente que detonou de vez a minha irrecuperável luxúria.
Do posto de gasolina ao colégio seriam 30 minutos. Era o tempo que eu dispunha para convencer a bela professora a matar um dia de aula.
Pois é, Antonio, os ciúmes da minha namorada são pura insegurança emocional. Talvez ela precise fazer terapia."


Antonio Maria Santiago Cabral
Publicado em 19/05/2008
Código do texto: T995566
Versiprosa de Antonio Maria
http://www.antoniomaria.prosaeverso.net


Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

ARTIGOS_ Doença Não é Destino

Com base na trágica história do alcoolismo na minha família e principalmente nas histórias que ouvimos todos os dias em salas de Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos e Neuróticos Anônimos, estou perfeitamente convencido de que ninguém se recupera da dependência química ou do descontrole emocional se não se envolver de corpo e alma na sua luta pela recuperação, tal qual o jogador de futebol que coloca o seu coração no bico da chuteira para ganhar o jogo de qualquer maneira.
Vejamos o triste caso do alcoolismo na minha família.
Meu avô paterno, espírita, homem de comportamento austero, jamais fumou qualquer cigarrinho ou tomou uma única gota de álcool em sua vida. Já os seus filhos homens, meu pai e os meus dois tios, morreram prematuramente, vitimados pelo alcoolismo. Eu e os meus três irmãos, filhos de pai alcoólico, nos tornamos também alcoólicos. De onde se conclui que se o alcoolismo tem herança genética, seus genes ora são regra, ora são exceção no caso do descendente alcoólico.
Meu pai e os meus dois tios, segundo contava a nossa mãe, pareciam aceitar pacificamente a sua desgraça engarrafada, nunca manifestando um desejo sincero de abandonar a bebida. Meu tio Berlim morreu com 28 anos, meu pai, com 35 anos, e o meu tio Bernardino, com 38 anos, todos por doenças relacionadas com o uso imoderado de bebidas alcoólicas. Quanto aos meus três irmãos, ambos eram realmente doentes alcoólicos, mas quando eu tentava convencê-los disso, eles faziam um paralelo entre as suas bebedeiras e as minhas, para concluir que eu sim, era alcoólico, mas eles, não! Alguns amigos e parentes também achavam que, em virtude do alcoolismo deles ser muito diferente do meu, eles eram apenas adeptos da garrafa, mas não dependentes. Mas todos morreram prematuramente, em virtude do uso abusivo de bebidas alcoólicas: Vicente, com 42 anos, José, com 59, e Joaquim, com 61.
Eu, considerado caso irrecuperável de dependência química, de loucas e devastadoras crises de embriaguez contínua, desde 1973, agarrei-me ao Programa de Recuperação de AA e depois de N/A, e, mesmo aos trancos e barrancos, sofrendo várias e quase trágicas recaídas, nunca desisti do sonho de recuperação, pois permaneci fiel à idéia de que era um doente alcoólico e que precisava me manter definitivamente afastado do único veículo que impulsionava a minha doença: o álcool. Tive muitos períodos de sobriedade descontínua: seis meses, oito meses, um ano, dois anos, até que, a partir de 1999, nunca mais recaí na garrafa. Nesses 37 anos de AA e de luta contra a dependência alcoólica, contando os quase 11 anos de sobriedade contínua de hoje, mais os períodos de sobriedade descontínua do passado, creio que totalizam aproximadamente 30 anos! Trinta anos sem um único gole! E foi isso que me salvou a vida.
O alcoolismo, como se define comumente em AA, é uma doença que combina uma obsessão (periódica ou temporária) para ingerir bebidas alcoólicas com uma alergia orgânica ou mental para o uso do álcool. E é aqui que reside o mais triste dos paradoxos dos alcoólicos: têm uma atração incomum pela garrafa, mas, após o primeiro copo, descontrolam-se completamente. Trata-se de um doença incurável e progressiva; ou o indivíduo para de beber ou vai beber até morrer – quase sempre indigna e prematuramente – ou enlouquecer.
Não pude trazer meus irmãos para o AA. Mas tentei. Não é fácil convencer um dependente químico de que ele é um doente e de que precisa tratar-se, seja com terapeutas profissionais, seja em Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos, Neuróticos Anônimos, seja pela conversão a uma Religião. Faz parte dos sintomas da dependência química essa característica de o doente ser o último a reconhecer que está doente e que precisa de ajuda. Isso é desolador e frustrante para os seus familiares e amigos, mas é a regra geral.
A farta pesquisa científica ou leiga sobre a dependência química ou psíquica já comprovam que ela não é causa, mas consequência: o indivíduo, em estado de permanente conflito com o mundo que o cerca tenta fugir e essa fuga pode ser fatal para algumas pessoas, como, por exemplo, o alcoólatra ou o usuário de drogas ilícitas. Mas, quaisquer que sejam as causas da doença emocional, da dependência química ou psíquica, quaisquer que sejam os índices de sucesso da psicoterapia e da farmacoterapia nessa área, já é premissa plenamente aceita pela maioria dos profissionais de Medicina, sociólogos, religiosos e os próprios neuróticos em geral - portadores somente de transtornos emocionais (os chamados “neuróticos puros”), alcoólicos, usuários de outras drogas, dependentes de jogo, comida ou sexo - em tratamento, que a recuperação do indivíduo passa obrigatoriamente pela mudança radical da sua personalidade, em outras palavras, pela sua higiene mental o que, na prática, se pode traduzir por "passar um aspirador de pó no espírito".
Para essa alternativa - que a cada dia se revela mais acertada - estão convergindo as várias correntes de opiniões e terapêuticas, inclusive com a disseminação mundial dos Grupos de Auto-Ajuda (terapia grupal para pessoas que têm problemas comuns), tendência que, a partir da fundação dos Alcoólicos Anônimos, em 1935, vem crescendo de maneira avassaladora no mundo inteiro.
Alcoólicos Anônimos (AA), Neuróticos Anônimos (N/A), Narcóticos Anônimos (NA), Dependentes Amorosos e Sexuais Anônimos (DASA), Fumantes Anônimos (FA), Jogadores Anônimos (JA), Comedores Compulsivos Anônimos (CCA), Mulheres que Amam Demais Anônimas (MADA), núcleos religiosos e os CAPS (Centro de Apoio Psicossocial) estaduais prestam, nos dias de hoje, extraordinárias contribuições para o enfrentamento da problemática da doença emocional com as suas variantes de dependência química ou psíquica. Oferecem gratuitamente e sem quaisquer exigências de ordem social, religiosa ou jurídica, Programas de Tratamento, baseados em terapias grupais que detêm encorajadores níveis de recuperação.
Nesse contexto psicossocial é fundamental que, independente do programa, meio ou instituição de que o dependente químico ou doente emocional se valha para tratar-se, ele seja esclarecido – sem sofismas ou preconceitos – sobre o seu real estado de saúde mental, emocional e física. É um doente e precisa tratar-se. Às vezes, basta essa conscientização para que ele faça a sua adesão sem restrições ao seu processo de tratamento ou recuperação. Outras vezes, ele procura um reforço adicional no tratamento psiquiátrico ou na conversão religiosa.
Atente-se para o fato de que eu disse "reforço adicional no tratamento psiquiátrico ou na conversão religiosa", porque antes que o doente emocional ou dependente químico admita sem reservas que é um doente e que precisa de ajuda para tratar-se adequadamente, qualquer tipo de tratamento, na minha opinião, tem poucas chances de sucesso.
Na questão do tratamento médico, discute-se a eficácia dos medicamentos psicoativos: antidepressivos, tranquilizantes, ansiolíticos, soníferos, etc. Pode um produto químico - ingerido de fora para dentro - corrigir um distúrbio mental e/ou comportamental - que, obviamente, se produz de dentro para fora? Parece evidente que os medicamentos psicoativos têm indicação e uso extremamente indispensáveis em certos quadros neuróticos graves, tais como, depressão e fobia social severas, síndrome de pânico, insônia rebelde, pensamentos suicidas, etc., mas, de modo geral, parecem atuar mais em cima da sintomatologia do que da etiologia desses transtornos emocionais. Mas, fora disso, eles são, como querem alguns, meros paliativos para uma doença da alma, cuja causa remota até mesmo o próprio doente pode desconhecer?
Somente o tempo e os avanços da Medicina Humana poderão nos elucidar tais questões.
Na questão da conversão religiosa, posso argumentar com a minha própria experiência. Minha mãe, espírita militante, irritava-se com o que chamava de orgulho e teimosia da minha parte, por não aceitar que era vítima de uma obsessão espiritual e que precisava tratar-me em sessões espíritas. Mas estava certa somente numa coisa: eu não aceitava mesmo tratar-me em sessões espíritas, porque, sempre agnóstico, me faltava a fé necessária para ser militante de qualquer religião. Mas eu admitia pacificamente a idéia da obsessão espiritual - já que inacreditáveis incidentes da minha conturbada vida me faziam suspeitar que havia uma sombra inteligente influenciando negativamente alguns acontecimentos. Mas, como já disse, me faltava a necessária fé para a frequência habitual aos templos espíritas; além disso, a obsessão espiritual é uma hipótese filosófico-religiosa, fato que, aqui e ali, batia de frente com a minha fria racionalidade.
Mas, quando cheguei ao AA me disseram simplesmente que se o meu problema fosse igual ao deles, eu era um doente alcoólico e impotente - para toda a vida - para ingerir o primeiro gole de bebida alcoólica e que, cada fez que eu o fizesse, com certeza experimentaria desagradáveis consequências. Meu insuportável racionalismo e o meu orgulho de intelectual recusaram-se inicialmente a admitir que a simples ingestão de um copinho de cerveja poderia desencadear em minha mente uma imperiosa necessidade de beber mais até embriagar-me e causar problemas. Contudo, isso não era uma hipótese, nem uma teoria, era um fato científico: o descontrole alcoólico é irreversível e incurável; portanto, cada triste vez que o desafiei, resvalei pela sarjeta da embriaguez. Que mais provas eu poderia exigir para ter certeza de que a minha incapacidade para usar o álcool é tão orgânica quanto a incapacidade do diabético para usar o açúcar? Nenhuma mais! Por isso, tornei-me definitivamente sóbrio em AA.
De qualquer modo, é somente a partir do momento em que o doente corajosamente resolve buscar toda a ajuda disponível para libertar-se da cruz da sua dependência química ou descontrole emocional, é que estará dando início – talvez sem o saber – a uma experiência espiritual transformadora capaz de levá-lo com segurança à maior das vitórias: a vitória sobre si mesmo.

"Se vir algo faiscando na areia, abaixe-se e pegue. Pode ser um caco de vidro ou uma pérola. Mas você nunca saberá se não a pegar.” (Will Randall)

Antonio Maria Santiago Cabral
http://antoniomaria.prosaeverso.net
27/03/2010
Código do texto: T2161607

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

CONTOS_ Segunda Chance

Quando ela pediu ao meu coração uma segunda chance, infelizmente ele não pôde dá-la. Ela o tinha matado na primeira.


Antonio Maria Santiago Cabral
http://antoniomaria.prosaeverso.net
03/11/2009
Código do texto: T1902468

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

POESIAS_ Cabeça nas Nuvens

Quando ele era menininho
tinha a mania de ficar longas horas sozinho,
olhando para o céu e afirmava
que o seu desejo era viver nas nuvens. Divagava?
Se não, talvez seu futuro na vida
fosse de piloto de avião ou coisa parecida.
Nem alfa nem beta.
Tornou-se poeta.


Antonio Maria Santiago Cabral
http://antoniomaria.prosaeverso.net
17/04/2010
Código do texto: T2202708

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

terça-feira, 25 de maio de 2010

POESIAS_ Aonde Foi Que Perdi Meu Sonho??

Nessas lembranças em que me perdi,
mas que são minhas,
ainda há um tempo de ti,
no murmúrio das horas em que vinhas.
Enquanto a tarde se dissolvia lentamente
no escurecer do dia,
em teu corpo mudamente
minha emoção se escorria...
Hoje, teu silêncio fala na minha pele,
tão sossegada do incauto arrepio,
e não há nela nada que revele
a tua boca de antigo cio.
As minhas mãos que habitavam lascivas respostas,
quando a beleza do teu olhar soprava um convite,
tateiam hoje, trêmulas, pelas costas
de um ausência que nem saudade permite.
Não levei flores nem deixei sementes,
do que me perdi não mais me reponho,
mas, grito, em noites dementes:
Aonde foi que perdi meu sonho?


Antonio Maria Santiago Cabral
http://antoniomaria.prosaeverso.net
15/05/2010
Código do texto: T2258881

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

CONTOS_ Efeitos Colaterais de Um Pedido de Divórcio

Próspero empresário do ramo de eletrodomésticos, João apaixonou-se perdidamente pela sua secretária Lu, uma morena filé, de rosto, seios, pernas e bunda capazes de endoidar um santo. Amavam-se loucamente, e como o delicioso petisco vestido de mulher ameaçara largá-lo caso ele não se separasse da esposa com a qual estava casado há 30 anos, João criou coragem e foi falar com a cara-metade:
- Marta, temos um problema.
- Qual?
- Estou apaixonado por outra mulher e quero divórcio.
- Sem problemas, amor. Segundo a sua declaração de Imposto de Renda, você fatura cem mil reais por mês. Trinta e cinco por cento disso me dará uma pensão mensal de trinta e cinco mil reais. Os seus bens estão avaliados em dois milhões de reais. Tenho direito à metade e não vou aceitar nada menos que isso. E aí, amor, você e a sua vagabunda podem ir para o raio que os partam!
Desistiu do divórcio e telefonou para a amante:
- Lu, minha querida, não vai dar! A bruaca exige uma pensão mensal de trinta e cinco mil reais e metade dos meus bens. Vamos ficar como estamos?
- Nada disso, não quero ser sempre a outra. Ou se separa da fulana ou eu caio fora dessa relação.
- Mas isso está fora de cogitação, se eu me separo da minha mulher ela me deixa quase pobre! Então, como ficamos?
- Não ficamos. Meu advogado conversará com você, cretino.
- Advogado? Por quê?
- Você é casado, mas mantínhamos uma relação estável.
- Mas, como você pode provar isso?
- Fácil. As câmeras daquele motel do meu amigo Ricardão filmaram as nossas transas várias vezes. Além disso, lembra-se daquela vez em que você, não se controlando de excitação, ejaculou na minha calcinha?
- Sim, sim, mas...
- Pois é, amor, guardei a calcinha como lembrança do fato e do seu sêmen. Um exame de DNA...
João tremeu: como podia ter esquecido do famoso golpe aplicado pela Mônica Levinsky em cima do todo-poderoso presidente americano Bill Clinton?
João continua casado com a bruaca, mas perdeu a bela morena que, para não armar um barraco sócio-judicial, recebeu uma gorda indenização lançada na contabilidade da empresa na rubrica "Serviços Prestados".
E um mês depois desse fracassado pedido de divórcio, João contratou uma nova secretária. Gostosíssima, um avião.
Tem homem que não aprende.

Antonio Maria Santiago Cabral
http://www.antoniomaria.prosaeverso.net
14/07/2009
Código do texto: T1699019






Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.