sexta-feira, 28 de maio de 2010

CONTOS_ Caronas São Sempre Perigosas

Quem me conta esta história é o meu amigo Rodrigo, um cara cujo namoro está seriamente ameaçado pelos excessivos ciúmes de sua namorada.
Diz ele:
"Antonio, a minha namorada, uma coroa bonita e gente fina, é tão ingênua que votou duas vezes seguidas no Lula. No entanto, vira fera quando o assunto é traição, pois só não vê uma rival em cada canto porque não existe em cada canto uma mulher bonita e gostosa. Para ela, sempre me encho de suspeitíssimas intenções quando um avião (boeing ou mesmo um teco-teco bonitinho) está por perto de mim. Pura insegurança, pois sou sempre sério e correto nos meus relacionamentos amorosos. Veja o que aconteceu um dia desses.
Ela é motorizada, eu não; por isso, sempre me dá uma carona até ao colégio onde leciono. Mas, numa noite, me telefonou, espumando de raiva:
- Não conte com a minha carona amanhã; pegue a carona da sua gatinha.
- Tá maluca? Que gatinha?
- Aquela guria que estava agarrada no seu pescoço, quando passei pelo seu colégio, lá pelas 5 da tarde.
- Disse bem: guria. É uma meninota, me trata como tio.
- Tio, né? Pois sim, tu não me enganas. Se depender de mim, vais a pé para o colégio.
Então, no outro dia, sem contar com ela, estava esperando uma outra carona, quando um carrinho vermelho buzinou. Era uma professora lá do colégio. Aproximei-me:
- Quer carona, professor?
Espiei melhor para dentro e vi um decote assustadoramente revelador, combinado com um par de pernas que deixariam inquietas e desesperadas até mãos santas.
Não me lembro de ter pensado, mas respondi rápido:
- Claro – e peguei a carona.
Dez minutos depois, a professora descobriu que a gasolina não iria dar e parou num posto para abastecer. Ao descer para preencher o cheque, pude observar que realmente o material era de primeiríssima qualidade. Idéias, idéias, por que o diabo nos enche de idéias?... E, de repente, meu celular tocou. Era minha namorada:
- Meu bem, desculpe, acho que exagerei. Está me esperando?
- Não, peguei uma carona com o professor Fernando.
- Então, nos encontraremos depois das aulas?
- Não vai dar, não estamos indo para o colégio, mas sim para um trabalho externo de pesquisa.
- Que pena. Então, tchau. Te amo.
- Tchau. Também te amo.
A professora voltou, sorriu-me docemente (ou voluptuosamente?), a saia subiu bem mais que o normal, acidente que detonou de vez a minha irrecuperável luxúria.
Do posto de gasolina ao colégio seriam 30 minutos. Era o tempo que eu dispunha para convencer a bela professora a matar um dia de aula.
Pois é, Antonio, os ciúmes da minha namorada são pura insegurança emocional. Talvez ela precise fazer terapia."


Antonio Maria Santiago Cabral
Publicado em 19/05/2008
Código do texto: T995566
Versiprosa de Antonio Maria
http://www.antoniomaria.prosaeverso.net


Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Nenhum comentário:

Postar um comentário