sexta-feira, 4 de novembro de 2016

ALUNOS, OS BOIZINHOS DE PIRANHA...



PT, PC do B, PSOL, etc., após a queda de Dilma - e principalmente depois dos fracassos nas eleições municipais deste ano - são partidos que agora fazem parte da oposição política ao governo federal e, como nós já prevíamos, não praticam oposição, mas sim, uma cega e sistemática contestação, do tipo "Se hay gobierno, soy contra!"

E já estaria de mau tamanho, se fosse somente resistência, falta de aceitação aos atos dos seus desafetos políticos. Não, eles vão muito mais longe, em função da indignidade e da má-fé que permeiam as suas ações, ditas oposicionistas. Com efeito, como rotular de protesto as invasões de escolas públicas, pelos alunos, impedindo a realização nesses locais das provas do ENEM? E como não ver, por trás desses alunos - na maioria adolescentes - a influência nociva da falácia e da doutrinação petista e comunista?

Contudo, por se tratar de invasão de propriedade pública, a Justiça vai ordenar a desocupação dessas escolas, o que não ocorrerá pacificamente. Então, chega a PM, baixa o cacete nos meninos, e desocupa a escola, que fica toda depredada, suja, mijada, e os meninos, com hematomas e alguns olhos roxos. Eles se sentem heróis, engajados politicamente, ora, isso é da idade, não é mesmo? E os partidos da oposição divulgam fotos dos meninos apanhando da PM, condenando veementemente a violência policial!

Moral da história: a oposição empurra os meninos para a invasão da escola pública, eles apanham da PM no quiproquó de desocupação, há uma publicidade negativa para o Governo ( justamente o que PT, PC do B e PSOL queriam!),mas ele, o Governo, não vai cair por causa disso e, então, tudo volta à santa normalidade. Exceto os olhos roxos e os hematomas dos meninos.

E eu perguntaria a eles: E aí, meninos, vão continuar a servir de "bois de piranha" para políticos pilantras?

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

A PRECÁRIA INFLUÊNCIA DO DEBATE



Eleição faz isso: todos agora são de "esquerda", isto é, do grupo dos coitadinhos de plantão, tentando escapar da "direita fascista e golpista", como atualmente são designados os que não rezam as mesmas ladainhas dos comunistas, petistas e lulistas. Sarney, esse ninguém conhece! rsrs
Na minha opinião, este último debate do dia 28, pouco vai alterar o panorama de intenção de fotos, que ninguém sabe qual realmente é. Tudo, nesta altura dos acontecimentos, são especulações ou informações tendenciosas. Contudo, quanto ao Braide, creio que ele perdeu o bonde da arrancada para consolidar a sua vantagem de azarão político, surpreendentemente conquistada ao apagar das luzes do primeiro turno. Ele tinha que subir mais, na opção de mudança que representa, atacar os pontos vulneráveis da administração do Holanda, escapar da "margem de erro" das pesquisas e chegar imbatível ao dia da eleição. Não o fez e o resultado ficou duvidoso Para ambos os lados.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Reminiscências___AS AVENTURAS DE TONICO_1


Meu apelido quando menino - detestável apelido - era Tonico. Meu nome de batismo é Antonio e por quê - eu me perguntava, transido de raiva - não me tinham apelidado de Tonho, Toninho ou coisa parecida? O nome lembrava o jeca-tatu, o capiau, e me chamar assim era um convite para uma boa briga. Eu o aceitava sem revides mal-educados somente em se tratando da minha mãe, padrinho e madrinha, irmãos e parentes mais velhos. No máximo, também, eu o permitia às namoradinhas do bairro, já que elas, morando perto da minha casa, acostumavam-se a me tratar por esse abominável apelido.
Menino de pavio curto, jeito atrevido, debochado e irreverente, espírito contraditório - capaz de grandes gestos de amor tanto quanto de arrebentar a cabeça de um desafeto a pedradas, de tanto chorar pelo seu cachorrinho doente quanto de amarrar latas nos rabos dos gatos - amado e odiado por vizinhos, parentes, professoras, colegas e amigos, mas jamais despercebido, o Tonico nunca foi embora da minha personalidade.
Assim que atingi a idade adulta - nem sempre a idade da razão - Tonico passou a representar a parte da minha personalidade que eu precisava manter sob controle - a parte impulsiva, safada, temperamental ou perigosa. Nem sempre consegui essa façanha, de modo que, ainda hoje, o danado ainda às vezes aparece e, pasmem, já de cabelos brancos!
Nenhum texto alternativo automático disponível.

PARA QUEM O EDIVALDO HOLANDA PERDE...



Sarney, passado político do pai do Braide e do próprio, tudo isso são detalhes de pouca valia para que o prefeito Edivaldo recupere, a 13 dias da eleição, a sua vantagem inicial sobre o seu adversário do segundo turno.

Na verdade, Edivaldo tinha a faca e o queijo na mão, mas não soube – ou não pôde – cortar. Eliziane Gama convidou João Castelo para vice e naufragou politicamente; Wellington do Curso ia bem, na vice-liderança, e parecia forte candidato a uma disputa no segundo turno, mas a sua má dicção e alguns detalhes sobre a sua situação social e tributária, que vieram à tona, tolheram os seus passos. Era de se esperar que o prefeito, com 4 anos de gestão e com o uso da máquina do governo, inclusive o apoio do governador Dino, absorvesse os votos dos desiludidos simpatizantes de Gama e Wellington. Ao contrário, surpreendentemente, tais votos foram canalizados para um quase desconhecido do povão – o jovem Eduardo Braide, que ostentava uma discretíssima 4ª colocação. Funcionou aí, é evidente, o fator rejeição ao nome do Edivaldo Holanda.

Moral da história: Holandinha está perdendo para ele mesmo, isto é, Braide pode ganhar, não por seus méritos, mas simplesmente porque o prefeito provou que não os tem.

MINHA CRIANÇA INTERIOR


Quando se discute a existência ou não da alma, eu, fugindo ao dogmatismo das religiões humanas - pois sou visceralmente agnóstico - declaro, com todas as letras, que estou plenamente convencido de que algo (uma força, uma energia, uma partícula de luz ) constitui a nossa personalidade imaterial e que isso é anterior e posterior ao nosso nascimento e morte. Onde e como essa chama vital exercerá a sua perenidade, após a nossa morte física, eis um terreno duvidoso, e nele eu não me atrevo a ingressar, por não apreciar discussões que não conduzem às necessárias conclusões. Portanto, quando ouço dizerem: "Não Deixe Morrer em Você a Sua Criança Interior", concordo plenamente, pois o que esse pensamento sugere é manter um comportamento perfeitamente racional e compatível com a nossa saúde emocional e espiritual.

Eis como penso que atravessei as minhas fases de desenvolvimento como ser humano: EU não fui criança, EU não fui jovem, EU não sou velho.. Não! Na verdade, EU estive criança, EU estive jovem, EU estou velho.

Mas quando EU estive criança, os meus olhos conduziam mais sonhos, mais esperanças e mais inocência do que hoje. Em consequência, é sempre muito saudável - até mesmo do ponto de vista científico - resgatar, no meu cotidiano, o tempo em que EU estive criança!

ILHA REBELDE



São Luís ainda é, convenhamos, a Ilha Rebelde.
Edivaldo Holanda é "pau-mandado" do comunista Dino, e mesmo com máquina administrativa a seu favor, não conseguiu convencer nem a elite, nem o "zé-povinho" a sacramentar o seu nome e ficou no "sobe-e-desce" o tempo todo. Wellington é político oportunista, com um ranço de burguesão favorecido pela indústria de concursos, que inspira desconfiança a gregos e a troianos, e, por isso, depois de um crescimento inicial, o seu rótulo de "salvador da pátria" encolheu bastante. Eliziane Gama, esta, - por Deus e todos os diabos do mundo! - , tinha a faca e o queijo na mão, mas, na hora de cortar, chamou o João Castelo para ser seu vice e despencou vergonhosamente do seu pedestal de brava combatente de saias!
Com tantas inutilidades desejando abocanhar o filé da Prefeitura de São Luís, ansiávamos por uma nova opção, um novo viés político. E o debate na TV nos mostrou o Braide, um rapaz inteligente, discreto e, com toda a certeza, competente no que faz. E a Ilha Rebelde concluiu que, por enquanto, esse é o cara!
Por que não jogamos a ralé política no lixão do ostracismo público e damos uma chance a esse novo novo personagem político que desponta, em São Luís, de maneira surpreendente e, por que não dizer, muito oportuna?

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Minicontos___RELEITURA DE ADÃO E EVA



Homens são fracos e sempre se deixam convencer por suas mulheres, essa é a verdade. E desde sempre...
Tudo ia bem com Adão no Paraíso, quando o Homem tomou-lhe uma costela e com ela fez Eva. E nada mais foi a mesma coisa, tanto que um genial trovador já interpretou com rara sabedoria esse milenar episódio:

Deus, quando fez a mulher,
de entusiasmo vibrou;
mas disse um anjo qualquer:
- Nosso sossego acabou!
(autor desconhecido)

Então, Eva, toda bonitinha e só com uma folha de parreira vestidinha, insuflada por uma serpente chamada Tentação, começou a aporrinhar a paciência do pobre Adão para comerem a maçã proibida; o cara não resistiu e deu um créu na maçã. E, então, ele se tornou o "primeiro-marido-mandado-por-mulher" do mundo a entrar pelo cano. E a bomba estourou nas mãos dos seus descendentes, pois esse cano se chamava pecado original!
Mas o pior é que, enquanto os dois arrumavam os bagulhos para caírem fora do Paraíso, Eva buzinava no ouvido de Adão:
- Safado! A culpa é toda tua! Eu só te ofereci a maçã, não te obriguei a comê-la! Mas, tu, om certeza, já vivias morrendo de vontade de comer a danada, não é mesmo, cabra safado?


quarta-feira, 29 de junho de 2016

Minicontos____RECOMEÇAR É PRECISO...


     Não me perguntem como, mas houve o fim do mundo. E, de repente, não mais que de repente, um homem alto, forte, de uns 35 anos, viu-se só, perambulando pelo mundo destruído, vazio de gente. Continuava existindo água e uma parte da fauna e da flora não fora completamente destruída, de modo que durante os cinco anos que o homem peregrinou sozinho conseguiu alimentar-se e muito bem. Afinal, o mundo era só dele!
     Então, um dia, penetrando numa caverna, deparou-se com uma mulher, mal coberta por uns farrapos de pano e, como diria Pero Vaz de Caminha, "Com as vergonhas de fora". Abraçaram-se felizes: eram os dois únicos seres humanos sobreviventes! E depois ela perguntou:
     - Somos apenas nós dois neste mundo?
     E ele, olhando para os seus belos seios e demais "vergonhas" que estavam de fora, e já completamente dominado por uma ereção que lhe exigia tirar cinco anos de atraso:
     - Com certeza, não por muito tempo! 

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Sonetos___SONETO DA SAUDADE

Quando cai a tarde e o sol, ao se ir,
Se despede da gente no poente,
Que vontade enorme de lhe pedir
Que leve toda a saudade da gente!

Mas, se lhe peço, é porque o partir
Do sol, me lembra os adeuses dolentes
Que nunca me deram, nem nunca vi,
Dos amores que partiram silentes.

E agora, que de novo vejo a tarde
Já se esvaindo no fundo horizonte,
Canta o poema o receio que me invade:

Que tua hora de partir não me contes
E, súbito, te tornes a saudade
Que nas Ave-Marias me desponte!

Sonetos___SONETO DA OFERENDA

Se me nasceste como um pensamento,
um clarão que na escuridão não tomba,
a mim serás sempre eterno momento,
- não te irás como fugitiva sombra.

Não importa como a minha lembrança
será vivida na lembrança nua
do meu amor assim sem esperança...
Importa que serei lembrança tua!

Onde está ele? - Te perguntarás –
um dia, quando, na barca de sonhos,
águas do passado navegarás...

Lembrando os versos que por ti componho,
guardado em tua alma encontrarás
o mesmo amor que aos teus pés hoje eu ponho...

domingo, 26 de junho de 2016

Poemas____VÍCIO POÉTICO


Era apenas um homem comum... E tudo estava quieto
entre as ruas e becos do seu gueto;
dentro dele, mais do que tinha era secreto,
e vagava, descolorido em branco e preto...
Um dia virou poeta, abriu as portas
do seu gueto e entrou triunfante
numa cidade de esquinas tortas,
a cantar o mistério da ilusão ululante...
Coloriu-se de poesia e tornou-se caminhante
calçado de sonhos e de fantasia;
e anda, de coração em coração, em ambulante
lirismo, que sobre o improvável tripudia...
E quando quer voltar ao seu gueto esquivo,
vê que do vício poético a sua mão não solta...
Então, resignado, cria novo poema, já tão cativo
das musas, que não lhe é mais possível a volta...

sábado, 25 de junho de 2016

Minicontos___ ENSINANDO O DESAPEGO....



Ajudar moribundos a morrer, eis a estranha profissão de Zé das Almas. Na verdade, há moribundos obstinados, prontinhos para partir desta vida para uma melhor, mas, justamente por não acreditarem nessa história de “melhor”, ficam agarrados a qualquer fiozinho de suspiro, demorando dias e dias para morrer, atrapalhando a vida dos parentes e amigos que não podem curá-los porque já estão desenganados e nem podem pranteá-los porque ainda não morreram de fato. Isso era chato e trabalhoso, e então chamavam Zé das Almas, que cobrava caro, mas que dava logo um jeito. Sentado ao lado da cama, iniciava orações e animava o moribundo a se desapegar da vida:

- Vai logo, irmão, que Deus está esperando por ti.
Depois de algumas orações, pedia para ficar sozinho com o renitente, cantava um Ora Pro Nobis e, com meia hora, no máximo uma hora, o teimoso vivente se mandava para o Além.

Zé das Almas hoje é procurado pela polícia, pois descobriram que, quando as suas orações custavam a surtir efeito, ele dava uma mãozinha (aliás, duas mãozinhas) e, com um travesseiro apertado contra o nariz do moribundo, cortava-lhe o fiozinho de respiração. E o sujeito desapegava da vida.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Minicontos___A MULHER DO ESPELHO



Sozinho em casa, olhou-se no espelho e viu uma figura de mulher atrás dele. Quis ficar assustado, mas logo percebeu que era a saudade dela que o visitava...

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Poemas____SONHADOR DE ABSURDOS





Que se detenham os versos que surgem
tentadores, para pôr a minha pena
no caminho de nova e quimérica nuvem,
com se fossem soluços dos pés na pedra
pontiaguda da ilusão,
de onde a angústia sempre medra.

Ainda busco refúgio num
deserto cheio dos territórios das impossibilidades,
mas já não me habito em nenhum,
pois descobri que tinham ouvidos surdos
as minhas antigas noites de esperanças
em que dormi, impune sonhador de absurdos.

sábado, 18 de junho de 2016

Contos___CAFÉS E CALCINHAS...



Encontrar-se com um gato preto, passar debaixo de escada - azar anunciado nesse dia; não deixar sapatos ou chinelos emborcados para que a mãe não morra; colocar Santo Antonio de cabeça para baixo até arranjar casamento - receita para as solteironas atraírem maridos; de noite, não emprestar agulha para ninguém, pois, quem o fizer, ficará vulnerável a um malefício. Estes são exemplos das muitas crendices e superstições com as quais convivi nos meus tempos de menino e de rapaz, aqui no Maranhão.
Essas crendices e superstições eram obviamente repassadas de geração para geração através da tradição oral, sendo algumas delas comuns a várias regiões do Brasil e, o que é mais interessante, ainda permanecem vivas até hoje.
Hum, mas esta aqui... Olha só:
Nos meus bons (e saudosos) tempos de rapaz namorador, não tinha essa história de "ficar" com a gata. Paquerada a menina e devidamente aceito por ela, passava-se à fase experimental do namoro que consistia em algumas semanas de mãos dadas na pracinha - sempre sob a ameaça de o pai da donzela ou um seu truculento irmão aparecerem de repente para armarem um barraco - um beijo roubado aqui e acolá, uma mãozinha boba de vez em quando, e, pronto, estava decretada a hora de ir oficialmente à casa da diva para pedi-la em namoro, isto, é claro, se o namorado estivesse com boas intenções.
Sabe-se que de boas intenções o Inferno está cheio e que, além disso, nem sempre essas boas intenções dos namorados daqueles tempos coincidiam com as que os pais das moças imaginavam que eles tivessem, mas, de qualquer modo, quando o cabrinha ia pedir a moça em namoro estava sendo formalizado um compromisso de namoro sério.
Pois, assim que eu e os meus irmãos chegamos à idade do namoro na casa da moça, ouvimos da nossa mãe a solene advertência:
- Cuidado! Na casa da namorada, não tome café passado pela própria!
- Por quê, mamãe?
- É um perigo, menino, um perigo! Se ela coar o café na calcinha e você o beber, nunca mais vai esquecer a sirigaita!
E, de repente, me lembro de algumas paixões alucinantes que curti por algumas namoradas, nos meus tempos de rapaz. Diacho, será que bebi muito café coado em calcinhas?...





terça-feira, 14 de junho de 2016

Poemas____SE O PECADO MORA AO LADO...


Se pelas mulheres teu ser ainda desatina,
tão lúbrico e tão impenitente,
então, não fujas da tua sina!...
Já debitado no montão
das culpas passadas e futuras,
não mais te pertence a ilusão
das tuas antigas visões puras...


Servo fiel de uma luxúria cafajeste,
só te arrependerás, amanhã,
do muito que não fizeste!...
Então, mergulha na tua poça
de lascívia e não considera
os beliscões da moral insossa...
Vai! Ao lado, um gostoso pecado te espera!

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Crônica Política_____OS VENDILHÕES DA ANISTIA




Desde o governo de Jânio Quadros que os americanos foram dominados por um medo, na verdade, uma paranoia de que o Brasil se transformasse numa nova Cuba, devido às tendências esquerdistas dos governos Jânio Quadros e João Goulart. Hoje já se sabe que John Kennedy manifestara a intenção de invadir o Brasil, caso Jânio Quadros confirmasse as suas tendências pró-comunistas e que, às vésperas do dia 31 de março de 1964, um porta-aviões americano foi enviado para a costa brasileira para ajudar os militares brasileiros, em caso de forte resistência ao golpe. Por causa dessa paranoia eles cooptaram os generais brasileiros, a elite social e econômica, alguns setores da igreja, conspiraram, financiaram, treinaram e até armaram os "revolucionários".

O populismo irresponsável de Jango, a demagogia barata de Leonel Brizzola, Miguel Arraes, José Dirceu, José Genoíno, Lula, etc. dourava, para os jovens, a ideologia comunista, que nem mesmo na Rússia haveria de dar certo, que arrasou Cuba e a Venezuela, e que transforma a Coreia do Norte num país com muros de chumbo. Na verdade, eles nunca foram comunistas e sim oportunistas, visando apenas às suas ambições políticas. A prova: quando foi decretada a anistia, Brizzola , Arraes, FHC e Lula voltaram à cena política e foram eleitos, respectivamente, governadores do Rio, Pernambuco e presidentes, sendo que Lula foi presidente do Brasil por duas vezes, fez a sua sucessora, e quer voltar em 2018. José Dirceu e José Genoíno se elegeram deputados e tanto "amavam o povo" que tomaram o seu dinheiro e, por isso, foram presos, ambos condenados no processo do Mensalão. Perguntem para Dilma e Lula (ambos "subversivos" do regime militar) por que nada fizeram e nada fazem para processar e condenar os tenentes e capitães que torturaram e mataram pessoas inocentes, e que hoje são coronéis e generais reformados?

Finalmente, os nossos jovens, submetidos à lavagem ideológica dessas pessoas, foram as grandes vítimas! Os militares, principalmente os do Exército, assumiram posturas de deuses, mas deuses cruéis: eles decidiam o que a gente podia falar, assistir, ouvir e até cantar! Uma censura burra e uma repressão brutal aos dissidentes do regime perseguiu, torturou e matou milhares de brasileiros, estes sim, as vítimas inocentes!

Na Argentina e no Chile, onde a repressão militar também foi brutal, ainda hoje se condenam torturadores e assassinos fardados. O general Videla, ex-ditador do regime militar argentino, foi condenado à prisão perpétua. Aqui, ex-torturados e ex-torturadores se dão as mãos, tanto que a Dilma, presa e torturada, jogada numa prisão infecta por três anos, assumiu o governo declarando taxativamente que não haveria "revanchismo". No Brasil, revanchismo significa punir os crimes de quem usou e abusou do poder e da autoridade. Enquanto isso, milhares de famílias nem mesmo sabem onde estão enterrados os corpos dos seus filhos ou maridos, vítimas da crueldade de assassinos fardados!

Essa é a história que vi nascer (em 31 de março de 1964, eu tinha 20 anos e era bancário no Rio de Janeiro) e que vi durar tristes e negros 21 anos. Fui perseguido no Banco do Brasil e no Banco da Amazônia, bancos federais, não por ser comunista, mas por não me calar ante a injustiça e a opressão.

Resumindo...
No dia 31/03/2016, fez 52 anos da Revolução Militar de 1964 que, deflagrada para combater os comunistas, torturou e matou muitos inocentes somente porque ousaram se manifestar contra o regime opressor e cruel. Mais tarde, com a volta das eleições diretas, tomaram o poder de novo todos aqueles que, fantasiados de comunistas, forneceram os "motivos" para os militares decretarem a intervenção armada. Anotem:Leonel Brizzola, Miguel Arraes, FHC, José Dirceu, José Genoíno, Lula e Dilma.

Alguns deles, que, mais tarde, deram provas que eram "oportunistas" e não "comunistas", saquearam tanto os cofres da nação que ensejaram, neste ano de 2016, uma necessária e patriótica reação dos brasileiros politicamente alfabetizados. A isso, eles chamam do Golpe. Seja o que for, na verdade, eles não mereciam a anistia política. Poderiam ser anistiados como cidadãos, tão somente, mas proibidos de chegar perto do dinheiro público, porque os ratos não resistem à tentação do queijo. Contudo, vale acreditar que, embora com 52 anos de atraso, poderemos expurgar esses sanguessugas da nação, até porque, em 1964, quem os repudiava era os canhões da ditadura, mas hoje, é o clamor do povo!

domingo, 12 de junho de 2016

Crônica Social____AMANHÃ QUERO SER UM BOM FILHO DE DEUS...



Amanhã, quero ser um bom filho de Deus, naturalmente convencido de que a expressão "Filho de Deus" é uma metáfora que uso para me identificar como minúscula partícula dessa fonte, dessa energia cósmica que os homens, para se sentirem mais próximos dela, chamam de Deus. Então, amanhã, eu vou me esforçar ao máximo para doar a maior quantidade possível de amor, tolerância e compaixão aos meus irmãos, essas outras partículas que se entrelaçam comigo nesta viagem cósmica. Vou ser feliz e contribuir o máximo para que as outras pessoas também o sejam. Talvez eu não seja compreendido, talvez eu seja ofendido, magoado ou maltratado, mas como tudo acontece somente por efeito da Lei de Ação e Reação - de hoje ou de ontem - não haverá nada a perdoar no fim do dia. Amanhã quero ter o melhor coração do mundo, o espírito mais desarmado de ódio e beligerância, o pensamento mais puro e a palavra mais vestida de paz. Será apenas uma gotinha de amor que jogarei em cima do monstruoso incêndio de iniquidades que assola o mundo, mas terei feito a minha parte. Ah, se sobrar um tempinho, talvez eu passe por uma igreja ou leia a Bíblia, o Livro dos Espíritos ou o Alcorão, reze uma prece convencional ou recite um mantra. Se sobrar um tempinho, porque, na verdade, amanhã, o que me interessa mesmo, é ser um bom filho de Deus.



Antonio Maria S. Cabral
Professor e Escritor
BLOG: ANTONIO CABRAL, ARTE E OPINIÃO
http://www.antoniomariacabral.blogspot.com
FACEBOOK:
https://www.facebook.com/antoniomaria.cabral
RECANTO DAS LETRAS: http://www.recantodasletras.com.br/autores/antoniomaria






DIA DOS NAMORADOS



Dizem que o poeta somente o amor imagina
e que cantar às musas é a sua sina...
Dizem que o poeta é aquele do declarado
ver, sem jamais ter visto...
E do sentir, sem jamais ter experimentado...
Mas nessa ilusão eu não insisto!...

Sou poeta, me dizem, e se assim for,
canto decerto às musas e ao amor...
Mas canto, sabendo que a minha lira
de versos, se sobe, em acordes, ao Parnaso,
também, rios de emoção do meu sangue tira,
fazendo vibrar cada veia, artéria e vaso!

Assim, pois, neste Dia dos Namorados,
não canto ilusões em odes apaixonados
para a minha eterna namorada. Canto que, sem prazo
de validade para a minha paixão,
há anos, ela é a musa que deixou o seu Parnaso,
para ser minha esposa, Rainha do meu coração!...


Antonio Maria S. Cabral
Professor e Escritor
BLOG: ANTONIO CABRAL, ARTE E OPINIÃO
http://www.antoniomariacabral.blogspot.com
FACEBOOK:
https://www.facebook.com/antoniomaria.cabral
RECANTO DAS LETRAS: http://www.recantodasletras.com.br/autores/antoniomaria





sábado, 11 de junho de 2016

MEUS TEXTOS DE AUTOAJUDA___OS CAMINHOS DA MINHA RECUPERAÇÃO - PARTE II



Quanto ao A.A., declaro, a quem interessar possa, que um espírito rebelde, de tendências anarquistas e mundanas, como é o meu, jamais conseguiria a sua plena recuperação do alcoolismo, se não contasse sempre com a ajuda do Programa de Recuperação de A.A.
O alcoolismo, como se define comumente em A.A., é uma doença que combina uma obsessão (periódica ou temporária) para ingerir bebidas alcoólicas com uma alergia orgânica ou mental para o uso do álcool. E é aqui que reside o mais triste dos paradoxos dos alcoólicos: têm uma atração incomum pela garrafa, mas, após o primeiro copo, descontrolam-se completamente. Trata-se de uma doença incurável e progressiva; ou o indivíduo para de beber ou vai beber até morrer – quase sempre indigna e prematuramente – ou enlouquecer.

Qual é o melhor tratamento para o alcoolismo, uma doença tão desconcertante e paradoxal que dá às suas vítimas uma paixão contínua ou periódica pelo álcool que, entretanto, as atira sempre para a sarjeta da vida?
Na questão do tratamento médico, discute-se a eficácia dos medicamentos psicoativos: antidepressivos, tranquilizantes, ansiolíticos, soníferos, etc. Mas, pode um produto químico – ingerido de fora para dentro – corrigir um distúrbio mental e/ou comportamental que obviamente se produz de dentro para fora? Parece evidente que os medicamentos psicoativos têm indicação e uso extremamente indispensáveis em certos quadros neuróticos graves, tais como depressão e fobia social severas, síndrome de pânico, insônia rebelde, pensamentos suicidas, etc., mas, de modo geral, parecem atuar mais em cima da sintomatologia do que da etiologia desses transtornos emocionais. Mas, fora disso, eles são, como argumentam alguns estudiosos do assunto, meros paliativos para uma doença da alma cuja causa remota até mesmo o próprio doente pode desconhecer? Somente o tempo e os avanços da Medicina poderão nos elucidar tais questões.

Na questão da conversão religiosa, posso argumentar com a minha própria experiência. Minha mãe irritava-se com o que chamava de meu orgulho e teimosia que, segundo ela, não me deixava admitir que eu era uma vítima de uma obsessão espiritual e que precisava me tratar através de terapias religiosas. Ela estava certa, mas somente numa parte: eu não aceitava mesmo tratar-me à luz dos dogmas religiosos, porque, sempre agnóstico, me faltava a fé necessária para ser militante de qualquer religião. Mas eu admitia pacificamente a ideia da obsessão espiritual – já que inacreditáveis incidentes da minha conturbada vida me faziam suspeitar que havia uma sombra inteligente influenciando negativamente alguns acontecimentos. Mas, como já disse, me faltava a necessária fé para a frequência habitual aos templos religiosos; além disso, a obsessão espiritual é uma hipótese filosófico-religiosa, fato que, aqui e ali, batia de frente com o meu insuportável racionalismo.

Mas, quando cheguei ao A.A. me disseram simplesmente que se o meu problema fosse igual ao deles, eu era um doente alcoólico e impotente – para toda a vida – para ingerir o primeiro gole de bebida alcoólica e que, cada fez que eu o fizesse, com certeza experimentaria desagradáveis consequências. Logo o meu já temerário racionalismo e o meu orgulho de intelectual recusaram-se a admitir que a simples ingestão de um copinho de cerveja poderia desencadear em minha mente uma imperiosa necessidade de beber mais, até me embriagar e causar problemas. Contudo, isso não era uma hipótese nem uma teoria, era um fato científico: o descontrole alcoólico é irreversível e incurável; portanto, cada triste vez que o desafiei, resvalei pela sarjeta da embriaguez. Que mais provas eu poderia exigir para ter certeza de que a minha incapacidade para usar o álcool é tão orgânica quanto à incapacidade do diabético para usar o açúcar? Nenhuma mais! Por isso, tornei-me definitivamente sóbrio em A.A.
Alcoólicos Anônimos não foi um caminho aberto por mim, mas sim, por um Poder Superior, para tornar mais leve o meu jugo nessa espinhosa caminhada e para que eu pudesse me levantar com mais facilidade das minhas muitas quedas e desesperanças. No fim, essa generosa dádiva de Deus fizeram a diferença entre a loucura e a lucidez, entre uma morte indignamente prematura e uma velhice honrada, cercada do respeito dos que me são caros.

===================================================
(Se você ou alguém que você conhece, tem problemas com o uso imoderado de bebidas alcoólicas, ligue para o Escritório Local de Serviços de AA no Maranhão, Tel: 3222-4050)


Antonio Maria S. Cabral
Professor e Escritor
BLOG: ANTONIO CABRAL, ARTE E OPINIÃO
http://www.antoniomariacabral.blogspot.com
FACEBOOK:
https://www.facebook.com/antoniomaria.cabral
RECANTO DAS LETRAS: http://www.recantodasletras.com.br/autores/antoniomaria

MEUS TEXTOS DE AUTOAJUDA__OS CAMINHOS DA MINHA RECUPERAÇÃO - PARTE I


Quando eu falo da avassaladora dependência química que me me imobilizou para o crescimento social e financeiro, durante 30 anos de minha vida, revelando fatos e comportamentos deploráveis, muita gente supõe que dois motivos me levam a isso:
a) Que quero ser visto quase como um herói: fui lá no fundo do poço, voltei, então, aplausos para mim...
b) Uma franqueza socialmente idiota, por revelar um passado cheio de atos pouco recomendáveis e que ninguém necessariamente precisa saber.

Mas, não é nada disso. Em primeiro lugar, não me orgulho de ter sido, um dia, um dependente químico no mais alto grau: perdi famílias, invejáveis empregos, reputação, credibilidade, peregrinei por hospitais psiquiátricos, fiz coisas que hoje me arrepiam de repulsa, à sua simples lembrança. Então, entre ter caído no fundo do poço e dele ter saído, e nunca ter tido esse fundo de poço, ou seja, nunca ter sido alcoólico, mil vezes preferível a segunda opção. Em segundo lugar, se eu arquivar a minha experiência de sofrimento e recuperação do alcoolismo na pasta de "Casos Resolvidos", sinto que cometo uma enorme ingratidão com um Poder Superior que um dia me fez chegar, desesperado e quase sem esperanças, a uma sala de um grupo de A.A. As pessoas que hoje caem pelas sarjetas da vida, vitimadas pelo alcoolismo, precisam saber que há uma solução para os seus problemas e que essa solução está bem perto delas; portanto, não me é lícito calar. Mas, antes de falar sobre o AA e do seu Programa de Recuperação do Alcoolismo, preciso destacar o papel que o casal de filhos que criei sozinho, a partir de 1979, assumiu nessa movimentada novela da minha vida.

A mãe de Daniele e Marcus comportou-se com tamanho desequilíbrio como mãe e como mulher que um juiz de uma Vara de Menores, em 1979, mesmo sabendo-me alcoólico, confiou a mim a guarda judicial de dois filhos com 2 e 3 anos de idade. Alguns, entretanto, viram nisso um ato de loucura, pois como um alcoólico poderia tomar conta de duas crianças tão pequeninas?
Fazendo a releitura desse fato, agora, me lembro do ditado popular que diz que “Deus escreve certo por linhas tortas”. Abandonado e criticado por todo mundo, envolvido por uma dependência química das mais terríveis, tendo caído numa espantosa decadência financeira e social – de gerente de banco e universitário, com casa própria e carro, em 1978, para morador de um barraco coberto de palha, sem luz elétrica e água encanada, num povoado da zona rural, em 1980 – se eu não tivesse um poderoso e sublimado objetivo a alcançar e a me nutrir de força moral suficiente para me soerguer sempre que tropeçasse nas pedras do caminho, talvez eu tivesse me entregado à própria sorte e talvez não estivesse mais aqui falando dessas coisas.
Cuidar e educar os filhos, que fui obrigado a criar sozinho, era esse poderoso e sublimado motivo, o qual, graças a Deus, foi alcançado. Cresceram, tornaram-se independentes e hoje têm as suas próprias famílias. Por isso, ou talvez mais por isso, encontrava forças para me levantar tantas vezes quantas fossem as quedas, enxugar as lágrimas e esquecer o desprezo, as humilhações e ofensas daqueles que só enxergavam em mim o bêbado, nunca o pai amoroso e dedicado como eu realmente era em estado de sobriedade.

Para atingir a minha plena recuperação da devastadora dependência química que assolou a minha vida por 30 anos – e que me deixou muitas vezes a um passo da loucura e da morte – o que realmente me valeu e fez toda a diferença, foi sem dúvida alguma a minha grande e obstinada vontade de me recuperar completamente, de levar uma vida normal, fugindo do meu inferno de bebedeiras, ressacas físicas e morais, frustrações, desespero – enfim, abandonar definitivamente um viver inútil e destrutivo. E, com certeza, o fato de me considerar responsável por mais vidas – além da minha – me impunha uma obrigação moral de me manter de pé, levantando-me toda vez que caía.

E não eram só Marcus e Daniele, os filhos que eu tinha sob a minha guarda, que me forneciam a motivação para me levantar tantas vezes quantas caía. Havia o Ricardo, o meu primogênito, no Rio de Janeiro, esperando que o seu pai emergisse das sombras para se reapresentar na sua vida; havia a Marcela, a Paula e a Jéssica, da minha instável união com Maria, que, apesar disso, esperavam de mim gestos de amor e proteção.

Ao lado da minha recuperação da dependência química, ter conseguido manter o afeto e o respeito dos meus filhos, antes, durante e depois do vendaval, que sacudiu a minha alma por 30 anos, eis o que, neste momento, umedece os meus olhos de enternecido orgulho, principalmente porque, talvez como um prêmio à minha resistência e à capacidade de me doar ao amor, o Poder Superior tenha me enviado, em 2009, já no meu terceiro casamento, mais uma vidinha para eu amar, proteger e cuidar.

Antonio Maria S. Cabral
Professor e Escritor
BLOG: ANTONIO CABRAL, ARTE E OPINIÃO
http://www.antoniomariacabral.blogspot.com
FACEBOOK:
https://www.facebook.com/antoniomaria.cabral
RECANTO DAS LETRAS: http://www.recantodasletras.com.br/autores/antoniomaria

sexta-feira, 10 de junho de 2016

IMPEACHMENT, A CRÔNICA DA PIZZA ANUNCIADA



O sujeito, que me parecia sóbrio e de posições firmes, dispunha de exatos 6 meses para entrar na nossa recente história política, como o homem que consolidaria o bota-fora de Dilma, iniciado com o seu afastamento por 180 dias. Mas, por Deus e todos os diabos do mundo, o homem, até agora, ainda não justificou nenhum prognóstico de mudança, nesse Festival de Canalhice Política que assola o país! O que é pior, parece estar soprando nas cinzas da Dilma.

Demonstrando um surpreendente desprezo pela dignidade e bom senso, e pela opinião pública, montou o seu ministério com alguns notórios fichas-sujas da Lavajato e somente o clamor público fê-lo recuar e demitir os seus apaniguados políticos. Depois, esquecendo-se de que o seu tempo garantido de governo é de somente 6 meses, e de que o país está cheio de necessidades imediatas, passou a discutir projetos polêmicos, como tempo de aposentadoria e outros, com efeitos previstos para 5 anos, mas que logo provocam rejeições e críticas. Por fim, resolveu dar uma mãozinha para que o Cunha, sinistro cara-de-pau, continue livre, leve e solto, a comandar bandalheiras na Câmara Federal. O barco do governo provisório de Temer, pois, está furado, entrando água, e alguns ratos já pensam em pular fora, quem sabe, voltar para o antigo e fétido lixão.

É consenso político quase geral que, apesar da desastrosa administração pública de Dilma, aliada à corrupção desenfreada e jamais vista em nenhum período da nossa história, Dilma só caiu porque alguns políticos de "rabo preso" ao processo da Lavajato viam no Temer a sua última esperança de fugir de condenações e cassações quase certas, no pressuposto de que ele conseguiria paralisar o processo. Por isso, alguns, até mesmo de modo pomposo e cheios de falsa moralidade, votaram a favor do impeachment da presidente, o que acabou sendo festejado por aqueles que, como eu, queriam se livrar do mal maior: Dilma, Lula e a corja do PT. Mas a calamitosa situação evoluiu a tal ponto que tornou a Lavajato uma instituição tão respeitável quanto intocável, e ninguém, muito menos um já desacreditado ocupante de vaga presidencial, poderá torná-la reversível ou emparedada.

Perdida essa esperança, com o barco político do Temer já afundando, os oportunistas de plantão já mudam o seu próximo voto e cai, a cada dia que passa, a diferença entre os que vão votar contra ou a favor de Dilma. O idiota do Romário e o estranho Cristovam Buarque, que votaram contra Dilma, anunciam que "vão pensar melhor". Mais um salto pra fora do barco e o jogo estará empatado. Daí para a virada, isto é, a volta da Dilma, é um pulo só.

O que houve? Simples. Estamos no Brasil, onde bandidos manhosos transformam-se em "vítimas das elites" ou heróis. Além disso, a crise de valores morais por que passa o Brasil é tão alarmante que ninguém conta pontos suficientes para se tornar apto a zelar pelo bem-estar comum da nação tupiniquim, Por isso, nas mãos da incompetência e da falta de respeitabilidade política de Temer, o impeachment da Dilma pode perfeitamente acabar em pizza.

Antonio Maria S. Cabral​

FACEBOOK - https://www.facebook.com/antoniomaria.cabral

RECANTO DAS LETRAS - http://www.recantodasletras.com.br/autores/antoniomaria

ANTONIO CABRAL, ARTE E OPINIÃO - http://www.antoniomariacabral.blogspot.com

SUA INSOLÊNCIA, O GOVERNADOR


Flávio Dino, juiz federal de comprovada sapiência jurídica, se esqueceu de que, em Política, especialmente a Política do Maranhão, o que vale mesmo é a sabedoria apregoada por Sólon: "Aprende a governar-te a ti próprio antes de governar os outros.”. O douto camarada está se perdendo por causa da típica arrogância dos gestores comunistas que, versados num discurso puramente hipócrita em favor do proletariado, conseguem ser, no exercício do poder, mais insensíveis aos apelos das classes menos favorecidas do que os conservadores de plantão. Além disso, a ambição política o cegou e ele acreditou que se Dilma permanecesse como presidente faria acordo (renúncia) para convocação de novas eleições, nas quais ele pontificaria como um eventual companheiro de chapa de Lula. Eis a razão daquela sua manobra, tão ridícula quanto quase politicamente suicida; de empurrar o inexpressivo e tolo Waldir Maranhão para, de uma canetada só, tentar passar uma borracha em todo o processo de impeachment.

Edivaldo Holanda, fiel vassalo de Dino, está com uma reeleição quase perdida, enquanto Sua Insolência, o Governador, se não descer do seu pedestal, poderá seguir pelo mesmo caminho, comprovando que, nesta terra que o francês primeiro pisou, somente Jackson Lago foi capaz de ofuscar a hegemonia política dos Sarney!

REFLEXÕES DE LULALÁ, O PERSEGUIDO DAS ZELITES

"Respeitem a minha história: sou do Nordeste, onde pobre só come carne quando morde a língua, me tornei metalúrgico em São Paulo, perdi um dedo, me aposentei, me tornei sindicalista pelego, um fazedor de greves. Está certo que, nesse tempo, eu morava numa mansão de um rico industrial paulista, mas era um presente que ele me dava, por que não aceitar? Logo descobri que ser de esquerda, num país de otários, dava dinheiro e votos. Então, vesti uma camisa vermelha, não por acaso a cor preferida dos comunistas, e modernizei o PT, aparelhando-o para chegar ao poder. Perdi 3 vezes seguidas, mas um dia, tipo aquela história de "Água mole em pedra dura..............," eu cheguei lá.

E como eu era um nordestino de origem pobre, um aposentado do INSS, todo pé-rapado do país se sentiu representado na Presidência da República! Lembro-me de uma das manchetes da época, que me divertiu muito: "O Brasil tem um operário no poder!" Comemorando o presente recebido do povão, nas eleições de 2003, em suíte de luxo, desfrutando de caviar e champanhe, eu ria tanto que a minha mulher pensou que eu estava ficando doido. Mas, depois que eu expliquei para ela o que eu pensava em fazer com aquele presente, na verdade, como já dizia Jesus, lá pras bandas de Nazaré ,"pérola em focinho de porco...", ela ficou quase louca. De tanto rir, é claro!

Lépido e fagueiro, comecei a governar. Tendo herdado das zelites uma economia sólida e altamente confiável, tudo corria às mil maravilhas na nação tupiniquim, coisa de que logo me atribuíram os méritos; então, fiquei tranquilão, tomando as minhas cachacinhas na adega do Alvorada, se bem que lá também haja vinho do Porto, uísque escocês e legítima vodka da Rússia. E para comprovar a minha teoria de que ninguém precisa de estudo para governar um país de bestas, eu, semianalfabeto, fui reeleito para mais um mandato! Estava tudo sob controle, mas eu queria ser um novo Getúlio Vargas, que um dia foi apelidado de "Pai dos Pobres", só porque teve um Ministro do Trabalho que criou a C.L.T.

Então, contratei o João que, embora devoto de Santa Ana, era cheio das artes do diabo: criou as Bolsa-Esmola, cujos cartões eram abocanhados, logo na fonte, pela corrupção de prefeitos, primeiras-damas e vereadores. Mas um pobre dinheirinho é melhor do que nenhum dinheirinho e, por isso, nos lugares pobres, especialmente no Nordeste, o dinheirinho que escapava do filtro da corrupção incentivava meninas ainda púberes a engravidarem e a parirem logo um bebê, para que a família pudesse receber R$ 180,00, que mal cobriria o custo da alimentação de uma família de 3 pessoas por mais de uma semana. Mas e daí? Programas são programas, o que vale é a intenção. Além disso, o meu marqueteiro – o das artes do diabo – plantou na mídia subserviente a hiperbólica lenda de que o Governo do PT houvera permitido que a metade dos brasileiros saísse da linha da pobreza absoluta e entrado direto para a classe média! Isso fez a minha popularidade alcançar 87% e o índice de aprovação do meu governo chegar a 82%, números jamais vistos em toda a nossa história republicana! Isso também me encheu de ideias e encomendei estudos visando conseguir uma emenda constitucional que me permitisse um terceiro mandato consecutivo, pois se não era possível ser, no Brasil, um novo Fidel Castro, já estava de bom tamanho ser um novo Hugo Chávez. Mas ninguém engoliu a pílula, isto é, a ideia, e só me restou uma alternativa: fazer o meu sucessor ou sucessora, e voltar, em bom estilo, em 2018.

Precisávamos pavimentar politicamente a estrada para o meu retorno: tornar o PT forte e imbatível, e escolher um escudeiro (ou escudeira) tão fiel quanto burro, isto é, trabalhar para mim, pensando que trabalhava para ele mesmo! Então encontrei uma ex-guerrilheira – que, dizem as más línguas, também fora assaltante de bancos – dei-lhe um posto graduado e a preparei para ser presidente desse período de transição. De quebra, nós do PT, armamos uma formidável rede de arrecadação de recursos financeiros para custear campanhas eleitorais, que os ignorantes chamam de rede de corrupção (ó povo besta, sô!). Vieram o Mensalão, o Petrolão e outros bichos, ficamos imbatíveis, tanto que elegemos a ex-guerrilheira duas vezes seguidas. Na verdade, anotem aí que eu já ganhei 4 eleições para presidente da república, no Brasil: duas para mim e duas para a moça, que adora pedalar nas manhãs de Brasília.

Tudo estava pronto, tranquilo e favorável, para o meu retorno em 2018, mas a minha fiel escudeira não sabe fazer política, não cultua a arte do cochicho ao pé do ouvido e nem tem a metade do jogo de cintura que eu tenho, em outras palavras, não tem carisma, seja político, seja pessoal. É mal humorada, gosta de dar mijadas nos assessores, e quis fazer, na Economia, o mesmo que faz nas manhãs do Alvorada: dar pedaladas. E aí "a porca torceu o rabo!" Cheguei à triste conclusão que ela é muito melhor para assaltar bancos do que para administrar um país. Meus cupinchas também exageraram demais: ostentação, ganância solta, dinheiro em sacolas, em cuecas e em meias! "Onde há fumaça, há fogo", e os homens da lei se alertaram, fizeram uma Lavajato e colocaram à frente, um mouro botando fogo pelas ventas e já de olho em mim, eu, que estava quietinho no meu tríplex, no Guarujá, e no meu sitiozinho que cabe 40 campos de futebol, lá em Atibaia, todos naturalmente dados como presentes pelos meus diletos amigos, pois eu não tenho nada, sou um nordestino pobre! Ainda que mal pergunte, as Cruzadas não acabaram com os mouros? Por quê, então, tem um mouro solto por aí, me perseguindo, dizendo que eu comandei todo o esquema? Eu não sei de nada, não me lembro de nada, sofro de amnésia, posso apresentar atestado médico! Não tenho quase nada, tudo que eu tenho me foi dado pelos amigos. Estão dizendo por aí que tenho 53 milhões em contas bancárias na Suíça; ora, se isso é verdade, tenho que descobrir qual foi o amigo que depositou esse dinheiro, pois eu não tenho nada, sou um nordestino pobre! Quem sabe não foi o meu filho, ele que já tem um bilhão?

Por Deus e todos os diabos do mundo, o plano era bom, mas a Rainha Louca botou tudo a perder; vão lascar um impeachment no lombo dela e o mouro vai continuar a pegar no meu pé, querendo me levar para ver o sol quadrado! E dizer que eu já me sentia um novo Hugo Chávez, acumulando mandados presidenciais... Mas, pelos chifres de Satanás, não vai ser fácil me derrubar: os vermelhinhos do MST e do PT vão dar trabalho pra essa elite golpista que deseja ver fora de cena o "Lulalá, o único defensor dos pobres que este país já teve"! Mas, meus camaradas, nem tudo está perdido: se eu não der com os costados numa cadeia e, no frigir dos ovos, sobrar uma nova eleiçãozinha, pode ser que eu volte. Olhem só os meus adversários: o mineirinho, também corrupto, e a seringueira, mais doida do que a ex-guerrilheira. Enquanto eu, ah, eu, meus camaradas, eu sou o "Filho do Brasil!..."

Antonio Maria S. Cabral
Professor e Escritor

BLOG: ANTONIO CABRAL, ARTE E OPINIÃO
http://www.antoniomariacabral.blogspot.com
FACEBOOK:
https://www.facebook.com/antoniomaria.cabral
RECANTO DAS LETRAS: http://www.recantodasletras.com.br/autores/antoniomaria