sábado, 18 de junho de 2016

Contos___CAFÉS E CALCINHAS...



Encontrar-se com um gato preto, passar debaixo de escada - azar anunciado nesse dia; não deixar sapatos ou chinelos emborcados para que a mãe não morra; colocar Santo Antonio de cabeça para baixo até arranjar casamento - receita para as solteironas atraírem maridos; de noite, não emprestar agulha para ninguém, pois, quem o fizer, ficará vulnerável a um malefício. Estes são exemplos das muitas crendices e superstições com as quais convivi nos meus tempos de menino e de rapaz, aqui no Maranhão.
Essas crendices e superstições eram obviamente repassadas de geração para geração através da tradição oral, sendo algumas delas comuns a várias regiões do Brasil e, o que é mais interessante, ainda permanecem vivas até hoje.
Hum, mas esta aqui... Olha só:
Nos meus bons (e saudosos) tempos de rapaz namorador, não tinha essa história de "ficar" com a gata. Paquerada a menina e devidamente aceito por ela, passava-se à fase experimental do namoro que consistia em algumas semanas de mãos dadas na pracinha - sempre sob a ameaça de o pai da donzela ou um seu truculento irmão aparecerem de repente para armarem um barraco - um beijo roubado aqui e acolá, uma mãozinha boba de vez em quando, e, pronto, estava decretada a hora de ir oficialmente à casa da diva para pedi-la em namoro, isto, é claro, se o namorado estivesse com boas intenções.
Sabe-se que de boas intenções o Inferno está cheio e que, além disso, nem sempre essas boas intenções dos namorados daqueles tempos coincidiam com as que os pais das moças imaginavam que eles tivessem, mas, de qualquer modo, quando o cabrinha ia pedir a moça em namoro estava sendo formalizado um compromisso de namoro sério.
Pois, assim que eu e os meus irmãos chegamos à idade do namoro na casa da moça, ouvimos da nossa mãe a solene advertência:
- Cuidado! Na casa da namorada, não tome café passado pela própria!
- Por quê, mamãe?
- É um perigo, menino, um perigo! Se ela coar o café na calcinha e você o beber, nunca mais vai esquecer a sirigaita!
E, de repente, me lembro de algumas paixões alucinantes que curti por algumas namoradas, nos meus tempos de rapaz. Diacho, será que bebi muito café coado em calcinhas?...





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