sexta-feira, 10 de junho de 2016

IMPEACHMENT, A CRÔNICA DA PIZZA ANUNCIADA



O sujeito, que me parecia sóbrio e de posições firmes, dispunha de exatos 6 meses para entrar na nossa recente história política, como o homem que consolidaria o bota-fora de Dilma, iniciado com o seu afastamento por 180 dias. Mas, por Deus e todos os diabos do mundo, o homem, até agora, ainda não justificou nenhum prognóstico de mudança, nesse Festival de Canalhice Política que assola o país! O que é pior, parece estar soprando nas cinzas da Dilma.

Demonstrando um surpreendente desprezo pela dignidade e bom senso, e pela opinião pública, montou o seu ministério com alguns notórios fichas-sujas da Lavajato e somente o clamor público fê-lo recuar e demitir os seus apaniguados políticos. Depois, esquecendo-se de que o seu tempo garantido de governo é de somente 6 meses, e de que o país está cheio de necessidades imediatas, passou a discutir projetos polêmicos, como tempo de aposentadoria e outros, com efeitos previstos para 5 anos, mas que logo provocam rejeições e críticas. Por fim, resolveu dar uma mãozinha para que o Cunha, sinistro cara-de-pau, continue livre, leve e solto, a comandar bandalheiras na Câmara Federal. O barco do governo provisório de Temer, pois, está furado, entrando água, e alguns ratos já pensam em pular fora, quem sabe, voltar para o antigo e fétido lixão.

É consenso político quase geral que, apesar da desastrosa administração pública de Dilma, aliada à corrupção desenfreada e jamais vista em nenhum período da nossa história, Dilma só caiu porque alguns políticos de "rabo preso" ao processo da Lavajato viam no Temer a sua última esperança de fugir de condenações e cassações quase certas, no pressuposto de que ele conseguiria paralisar o processo. Por isso, alguns, até mesmo de modo pomposo e cheios de falsa moralidade, votaram a favor do impeachment da presidente, o que acabou sendo festejado por aqueles que, como eu, queriam se livrar do mal maior: Dilma, Lula e a corja do PT. Mas a calamitosa situação evoluiu a tal ponto que tornou a Lavajato uma instituição tão respeitável quanto intocável, e ninguém, muito menos um já desacreditado ocupante de vaga presidencial, poderá torná-la reversível ou emparedada.

Perdida essa esperança, com o barco político do Temer já afundando, os oportunistas de plantão já mudam o seu próximo voto e cai, a cada dia que passa, a diferença entre os que vão votar contra ou a favor de Dilma. O idiota do Romário e o estranho Cristovam Buarque, que votaram contra Dilma, anunciam que "vão pensar melhor". Mais um salto pra fora do barco e o jogo estará empatado. Daí para a virada, isto é, a volta da Dilma, é um pulo só.

O que houve? Simples. Estamos no Brasil, onde bandidos manhosos transformam-se em "vítimas das elites" ou heróis. Além disso, a crise de valores morais por que passa o Brasil é tão alarmante que ninguém conta pontos suficientes para se tornar apto a zelar pelo bem-estar comum da nação tupiniquim, Por isso, nas mãos da incompetência e da falta de respeitabilidade política de Temer, o impeachment da Dilma pode perfeitamente acabar em pizza.

Antonio Maria S. Cabral​

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