segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Reminiscências___AS AVENTURAS DE TONICO_1


Meu apelido quando menino - detestável apelido - era Tonico. Meu nome de batismo é Antonio e por quê - eu me perguntava, transido de raiva - não me tinham apelidado de Tonho, Toninho ou coisa parecida? O nome lembrava o jeca-tatu, o capiau, e me chamar assim era um convite para uma boa briga. Eu o aceitava sem revides mal-educados somente em se tratando da minha mãe, padrinho e madrinha, irmãos e parentes mais velhos. No máximo, também, eu o permitia às namoradinhas do bairro, já que elas, morando perto da minha casa, acostumavam-se a me tratar por esse abominável apelido.
Menino de pavio curto, jeito atrevido, debochado e irreverente, espírito contraditório - capaz de grandes gestos de amor tanto quanto de arrebentar a cabeça de um desafeto a pedradas, de tanto chorar pelo seu cachorrinho doente quanto de amarrar latas nos rabos dos gatos - amado e odiado por vizinhos, parentes, professoras, colegas e amigos, mas jamais despercebido, o Tonico nunca foi embora da minha personalidade.
Assim que atingi a idade adulta - nem sempre a idade da razão - Tonico passou a representar a parte da minha personalidade que eu precisava manter sob controle - a parte impulsiva, safada, temperamental ou perigosa. Nem sempre consegui essa façanha, de modo que, ainda hoje, o danado ainda às vezes aparece e, pasmem, já de cabelos brancos!
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